Separação (Mangalarga x Mangalarga Marchador)

3 04 2008

A Separação das Raças  

Os eqüinos criados no Sul de Minas, a partir do fim do século XVIII e início do século XIX, tornaram-se conhecidos com a denominação de cavalos Mangalarga.   

Mas a primeira associação de criadores do Mangalarga (Associação dos Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga) só foi fundada em 1934 no Estado de São Paulo. Muitos criadores mineiros, porém, não concordaram com a descrição do ‘padrão da raça’ nos estatutos da nova Associação. Principalmente, no tocante ao andamento recomendado, a ‘marcha trotada’, pois a preferência dos criadores mineiros era para a ‘marcha picada’. Assim sendo, recusaram-se a se filiar a Associação recém fundada e resolveram organizar a sua própria associação.   

  Logo Mangalarga Marchador
  Marca registrada da ABCCMM.

Por questões legais, os animais criados no Estado de Minas Gerais tiveram que ser qualificados e foi acrescentado ao seu nome original a qualificação “Marchador”. A denominação Mangalarga ficou para os animais registrados na Associação do Estado de São Paulo.   

Assim, em 1949, os criadores mineiros criarem a Associação dos Criadores de Cavalo Marchador da Raça Mangalarga. No decorrer dos anos, a qualificação sofreu alterações até chegar no nome atual: Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador  

Ainda encontramos pessoas que os chamam apenas de Mangalarga Mineiro e Mangalarga Paulista. Ambos, porém, são derivados dos mesmos cavalos do Sul de Minas do século XVIII.   

Diferença entre as Raças

 A diferença entre as raças do Mangalarga Marchador e o Mangalarga começaram a surgir na segunda metade do século XIX quando os primeiros animais foram levados para o Estado de São Paulo e lá tiveram que se adaptar a uma nova topografia de campos cerrados, em vez da topografia acidentada do Sul de Minas. A topografia paulista influenciou não só a rotina de trabalho nas fazendas (lida com o gado) mas também o esporte, nomeadamente a caça do veado.   

Os criadores paulistas começaram a desenvolver animais com uma estatura mais elevada para facilitar a cavalgada através do cerrado e, ao mesmo tempo, animais que respondesse com um arranque fácil e imediato durante a caça.   

Vale ressaltar que em Minas também se buscava um animal voltado para a caça. Porém, em função da topografia da região, o papel do cachorro na caçada era muito mais importante do que a do cavalo. No Estado de São Paulo, entretanto, o cavalo começou a desempenhar uma função tão importante quanto a dos cachorros. Exigia-se dos animais um arranque fácil e imediato, parada brusca, além da transição natural e espontânea da marcha para o galope.   

O trabalho de seleção e aprimoramento funcional volta-se, então, para desenvolver características no Mangalarga que pudessem atender esses requisitos. Cruza-se o Mangalarga com as raças Puro Sangue Inglês, Árabe, Anglo-Árabe e American Saddle Horse  

Essa seleção funcional, no entanto, implicou na modificação da conformação. Conseqüentemente, numa diferenciação cada vez maior do Mangalarga Mineiro, inclusive dando-lhe outra aparência geral.    

Acreditamos que no futuro é muito provável que o Mangalarga Marchador e o Mangalarga terão em comum somente o nome e a origem.   

Mangalarga Marchador – Padrão da Raça  

O Mangalarga Marchador é o que se pode chamar de “cavalo de fazendeiro”, pois sua marcha é bastante confortável e não cansa o cavaleiro, tornando-o ideal para percorrer a fazenda e realizar viagens por caminhos acidentados.  

O Mangalarga Marchador era considerado apenas uma variedade da raça, distinguindo-se particularmente pelo seu andamento característico que denomina “marcha avante, batida ou picada”, tão regular quanto possível, constituindo desclassificação o trote, a marcha trotada e a andadura propriamente dita. O Mangalarga Marchador tem dificuldade em galopar.   

O andamento genuíno do Mangalarga Marchador é acompanhado de outras importantes características:  

Temperamento ativo e dócil Pode ser montado por pessoas de qualquer faixa etária e nível de equitação.
Resistência Grande capacidade para percorrer longas distâncias e enfrentar desafios naturais.
Inteligência Seu adestramento é fácil e rápido em relação a outras raças de sela.
Rusticidade Pode ser criado somente em regime de pasto, diminuindo seu custo de produção e manutenção, facilitando seu manejo. A rusticidade é observada também na facilidade de adaptação a quaisquer terrenos e climas como o tropical, temperado ou frio.

  A seguir, reproduzimos o Padrão da Raça aprovado pela ABCCMM – Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador, em 24 de junho de 1998:

 
PADRÃO DA RAÇA MANGALARGA MARCHADOR
Aparência Geral 1 – Porte médio, ágil, estrutura forte e bem proporcionada, expressão vigorosa e sadia, visualmente leve na aparência, pele fina e lisa, pelos finos, lisos e sedosos, temperamento ativo e dócil.2 – Altura:Para machos a ideal é de 1,52m, admitindo-se para o registro definitivo a mínima de 1,47m e a máxima de 1,57m.Para fêmeas a ideal é de 1,46m, admitindo-se para o registro definitivo a mínima de 1,40m e a máxima de 1,54m.
Cabeça 1 – Forma: triangular, bem delineada, média e harmoniosa, fronte larga e plana;2 – Perfil: retilíneo na fronte e de retilíneo a sub-côncavo no chanfro;3 – Olhos: afastados e expressivos, grandes, salientes, escuros e vivos, pálpebras finas e flexíveis;4 – Orelhas: médias, móveis, paralelas, bem implantadas, dirigidas para cima, de preferência com as pontas ligeiramente voltadas para dentro;5 – Garganta: larga e bem definida;6 – Boca: de abertura média, lábios finos, móveis e firmes;7 – Narinas: grandes, bem abertas e flexíveis;8 – Ganachas: afastadas e descarnadas.

 

ExpressãoeCaracterização O que exprime e caracteriza a raça em sua cabeça, aparência geral e conformação.
Pescoço De forma piramidal, leve em sua aparência geral, proporcional, oblíquo, de musculatura forte, apresentando equilíbrio e flexibilidade, com inserções harmoniosas, sendo a do tronco no terço superior do peito, admitindo-se, nos machos, ligeira convexidade na borda dorsal – como expressão de caráter sexual secundário – crinas ralas, finas e sedosas.
Tronco 1 – Cernelha: bem definida, longa, proporcionando boa direção à borda dorsal do pescoço;2 – Peito : profundo, largo, musculoso e não saliente;3 – Costelas: longas, arqueadas, possibilitando boa amplitude torácica;4 – Dorso: de comprimento médio, reto, musculado, proporcional, harmoniosamente ligado à cernelha e ao lombo;5 – Lombo: curto, reto, proporcional, harmoniosamente ligado ao dorso e à garupa, coberto por forte massa muscular;6 – Ancas: simétricas, proporcionais e bem musculadas;7 – Garupa: longa, proporcional, musculosa, levemente inclinada, com a tuberosidade sacral pouco saliente e de altura não superior à da cernelha;8 – Cauda: de inserção média, bem implantada, sabugo curto, firme, dirigido para baixo, de preferência com a ponta ligeiramente voltada para cima quando o animal se movimenta. Cerdas finas, ralas e sedosas.
Membros Anteriores 1 – Espáduas: longas, largas, oblíquas, musculadas, bem implantadas, apresentando amplitude de movimentos;2 – Braços: longos, musculosos, bem articulados e oblíquos;3 – Antebraços: longos, musculosos, bem articulados, retos e verticais;4 – Joelhos: largos, bem articulados e na mesma vertical do antebraço;5 – Canelas: retas, curtas, descarnadas, verticais, com tendões fortes e bem delineados;6 – Boletos: definidos e bem articulados;7 – Quartelas: de comprimento médio, fortes, oblíquas e bem articuladas;8 – Cascos: médios, sólidos, escuros e arredondados.9 – Aprumos: corretos.
Membros Posteriores 1 – Coxas: musculosas e bem inseridas;2 – Pernas: fortes, longas, bem articuladas e aprumadas;3 – Jarretes: descarnados, firmes, bem articulados e aprumados;4 – Canelas: retas, curtas, descarnadas, verticais, com tendões fortes e bem delineados;5 – Boletos: definidos e bem articulados;6 – Quartelas: de comprimento médio, fortes, oblíquas e bem articuladas;7 – Cascos: médios, escuros e arredondados;8 – Aprumos: corretos.
Ação 1 – Passo: andamento marchado, simétrico, de baixa velocidade, a quatro tempos, com apoio alternado dos bípedes laterais e diagonais, sempre intercalados por tempo de tríplice apoio.Características ideais: regular, elástico, com ocorrência de sobrepegada; equilibrado, com avanço sempre em diagonal e tempos de apoio dos bípedes diagonais pouco maiores que laterais; suave movimento de báscula com o pescoço; boa flexibilidade de articulações.2 – Galope: andamento saltado, de velocidade média, assimétrico, a três tempos, cuja sequência de apoios se inicia com um posterior, seguido do bípede diagonal colateral (apoio simultâneo) e se completa com o anterior oposto.Características ideais: regular, justo, com boa impulsão, equilibrado, com nítido tempo de suspensão, discreto movimento de báscula com o pescoço, boa flexibilidade de articulações.
Andamento 1 – Marcha: andamento marchado, simétrico, a quatro tempos, com apoio alternado dos bípedes laterais e diagonais, sempre intercalados por momentos de tríplice apoio.Características ideais: regular, elástico, com ocorrência de sobrepegada ou ultrapegada, equilibrado, com avanço sempre em diagonal e tempos de apoio dos bípedes diagonais maiores que laterais, movimento discreto de anteriores, descrevendo semicírculo visto de perfil, boa flexibilidade de articulações.

 Fonte: Haras Gamarra  

Abraço

Equipe Courage

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