RAIVA EM EQÜINOS

11 05 2008

(Post participando da Promoção Escreva e Ganhe)
 

A Raiva é causada por um vírus do gênero Lyssavirus  e é uma das viroses mais importantes para a  pecuária e para a saúde pública do Brasil. Esta distribuída em quase todo o mundo, tanto em animais domésticos quanto silvestres, que ficam como reservatórios do vírus por longos períodos. É transmitida aos cavalos através e principalmente por  morcegos hematófagos ( mais comum é o Desmodus  rotundus)  ; outras formas seriam através de mordidas de cães e raposas .

 

No Brasil a Raiva tem sido pouco estudada em equinos. Em São Paulo de 1980-1994 foram diagnosticados 111 casos de raiva em equinos e 12 casos no Rio Grande do Sul.

 

Doença incurável e com mortalidade em 100% dos casos  é prevenível com vacinação específica ( primovacinação e reforços);  em infecções espontâneas tem incubação de 30-60 dias e após doente o animal pode viver entre 2-8 dias .

 

Entre cavalos qualquer sexo ou idade pode ser acometido e as  manifestações  clinicas são muito varíaveis incluindo tanto a forma paralítica quanto a forma furiosa da doença. Os sinais clínicos estão relacionados com a parte do Sistema Nervoso Central que foi atingida( nos equinos normalmente várias partes são acometidas).

 

Se o Cérebro foi atingido os sinais são: agressividade, andar em círculo, apatia, cegueira, mudanças de atitude, pressão da cabeça contra objetos, ranger de dentes, sonolência e movimentos involuntários.

 

No Tronco Encefálico ; andar descontrolado, dificuldade de apreensão e mastigação, queda do lábio, globo ocular retraído, língua sem movimentos. No Cerebelo leva  a perda de equilibrio.

 

Atingindo a Medula espinhal: deita-se de lado( decúbito lateral) ou de frente ( decúbito esternal), paralisia dos membros da frente e de trás  .

 

Como diagnostico diferencial de outra doenças devemos lembrar das infecções por Crotalaria retusa e a Mielite Eqüina( doença viral).

 

O diagnóstico da doença é feita pelo exame clínico e confirmado através do método laboratorial chamado  Imunofluorescência direta , a partir de tecidos de orgãos do animal que são  refrigerados ou congelados ( método mais rápido e confiável) ou através de inoculação intracerebral em camundongos. Ambos métodos as vezes podem dar negativo em casos de Raiva por isso é  necessário retirar-se várias amostras de diferentes regiões do Sistema Nervoso Central do animal  morto.

 

O fundamental a ser lembrado é a importância da vacinação de todos os animais e em casos de surtos o controle com a vacinação nos outros animais.

 

 
João Batista P. Neto





Cavalo dado não se olham os dentes?

9 04 2008

Na medicina veterinária, a área odontologia eqüina é considerada ainda nova, porém tem crescido muito. Pois proprietários, treinadores e veterinários estão cada vez mais conscientes dos bons resultados com os tratamentos dentários na saúde e no desempenho atlético dos animais. Pode-se dizer que hoje em muitos lugares já é rotina o exame da cavidade oral eqüinos.

As razões pelas quais há a necessidade do tratamento dentário se dá principalmente pela domesticação e confinamento dos animais, onde os tiramos de seu habitat e modificamos sua rotina, padrões e hábitos alimentares. Além disso, cada vez mais exigimos dos nossos cavalos a performance em busca de resultados, e ainda iniciando-os cada vez mais jovens em treinamentos.

Os sintomas podem ser variados como: distúrbios gastro-intestinais, perda de peso, descarga nasal, aumento de volume da face ou da mandíbula, fístulas faciais, dificuldade na mastigação, acúmulo de alimentos na boca, partículas grandes nas fezes, dor a palpação bucal, hemorragia fraca, halitose (mau hálito), sistorréia (salivação aumentada), observação de feridas nas mucosas da cavidade oral e língua.

 

Na doma e treinamento os sintomas mais observados são: o animal joga a cabeça para o alto, balança a cabeça, morde a embocadura; ou qualquer outra forma de rejeitar a embocadura; o treinador encontra dificuldades para realizar manobras para os lados, observando o animal com problemas considerados de temperamento ou doma, com conseqüente diminuição na performance atlética e perda de condição física.

 

Os problemas mais encontrados são:

1) Pontas (espículos), bicos e ganchos nos dentes: machucam e, às vezes, até laceram as bochechas e língua. Necessitam de nivelamento e arredondamento.

2) Dente de Lobo: ele não tem função de mastigação e causa grande desconforto quando entra em contato com a embocadura. É necessária a extração, principalmente em potros antes do início da doma, para não lhe causar traumas. É importante lembrar que animais já domados e em treinamento muitas vezes têm um desconforto extremo causado por este dente e, mesmo depois da extração, ainda vão apresentar por algum tempo um pouco de reação no trabalho, pois ainda ficam em suas memórias a dor causada pelo choque da embocadura e o “beliscamento” nas bochechas.Isso se dá até que esqueçam o trauma.

3) Problemas de má oclusão, ou seja, no assentamento dos dentes superiores sobre os inferiores, causa o braquignatismo, onde os dentes incisivos superiores se encontram “para frente” dos dentes incisivos inferiores e o prognatismo onde acontece o inverso.
O braquignatismo é um problema freqüente, por isso devemos estar atentos, pois se trata de um problema que tem envolvimento genético. Por conseqüência, é importante frisar a importância que os criadores devem dar a problemas relacionados à dentição, quando selecionam seus animais para a reprodução.

É indicado que se inicie os exames orais nos potros o quanto antes, pois muitas vezes, podemos solucionar os problemas antes de eles serem domados. Há situações que, em animais bem jovens, um simples manejo alimentar soluciona alguns problemas relacionados à má oclusão.

4) Presença de dentes descíduos (dente de leite) ou supranumerários: deve-se fazer a retirada do descíduo que permaneceu sobre o dente permanente.
Os resultados do tratamento vão aparecer muito rápido, os animais vão melhorar a mastigação, a digestão dos alimentos e com isso diminuir risco de problemas gastro-intestinais, como, principalmente, a cólica. Enfim, criando condições para que o animal atinja todo o potencial.
Na doma e treinamento os resultados são incríveis, facilitando muito o trabalho do treinador, onde o animal vai sentir conforto com a embocadura. Com isso, diminuirá o estresse e o trauma, melhorando o aprendizado e obtendo resultados mais rápidos.

Porém, deve-se lembrar que, algumas vezes, animais jovens vão ter alterações no temperamento por dor na troca dental, o que é normal, onde o veterinário (dentista) deve explicar ao treinador sobre o episódio e sugerir que este animal use por algum tempo outro tipo de equipamento como o hackamore, hackamore mecânico, side pull etc. E sugerir, ainda, que esses equipamentos sejam usados em todos os animais que sofreram tratamento por alguns dias.
É interessante que se faça o tratamento dentário duas vezes por ano, pois os dentes dos eqüinos estão crescendo e se desgastando constantemente. Portanto, pode-se concluir que a manutenção da “saúde bucal” dos cavalos irá interferir na performance, no temperamento e na longevidade de nossos animais.

Leonardo Feitosa Marinho, ou simplesmente “Léo” como é conhecido, é daqueles camaradas que vivem cavalo 24 horas por dia. É médico veterinário, dá cursos pelo Senar de doma racional, rédeas, ferrageamento, casqueamento, primeiros socorros, entre outros. Além de tudo isso ainda arruma tempo para dar palestras motivacionais sobre trabalho em equipe, baseado na relação de respeito entre homem e cavalo.

 

Sem dúvidas ele é um dos nossos grandes amigos e estará bastante presente no nosso blog.