Pastagens para eqüinos

22 04 2008

As pastagens por constituírem há milhares de anos o alimento natural dos eqüinos, seu complexo sistema digestivo adaptou-se anatômica e fisiologicamente para sua transformação em fonte de energia, proteína e para suprir suas necessidades de todos os nutrientes.

Com o incremento da estabulação e dos esportes eqüestres, os cavalos começaram a receber uma alimentação muitas vezes incompatível com sua capacidade de digestão e conversão, resultando como conseqüência mais grave a síndrome cólica, além das diarréias, aguamento, anemia etc.

A respeito da fisiologia digestiva, enquanto nos bovinos (ruminantes) a assimilação de toda a energia dos carboidratos fibrosos dos vegetais ocorre no complexo “rúmen”; enquanto a dos eqüinos (não ruminantes) é no intestino grosso (ceco funcional), local de abrigo dos microorganismos, destinados a realizar a digestão desses alimentos volumosos.

Por este motivo, toma-se importante a ingestão da fração fibra, responsável pelo equilíbrio e bom funcionamento do sistema digestivo. Como a forragem é a principal fonte de fibra da alimentação eqüina, associada ao bom valor nutritivo e ao custo mais baixo, não se deve desprezá-la nos mais diversos programas alimentares

A oferta de alimentos de alta qualidade, tanto de forragens quanto de suplementação concentrada, possui seus benefícios comprovados, pois garante crescimento saudável e excelente condição física dos animais. Na avaliação das espécies forrageiras para formação das pastagens para os eqüinos, devemos considerar seu hábito de pastoreio e fisiologia digestiva, que são diferentes dos outros animais herbívoros. O pastoreio dos eqüinos consiste na apreensão dos alimentos pelo lábio superior, usando os dentes para o corte da forragem, auxiliado pelos movimentos da cabeça. Nos bovinos esta apreensão é realizada pela língua que enrola a vegetação prensando-a no palato superior (céu da boca) arrancando-a com um pequeno movimento da cabeça.

Características desejáveis

Com este tipo de pastejo rente ao solo, é importante a escolha adequada de uma espécie forrageira que tenha hábito de crescimento rasteiro. Como por exemplo, as espécies de estoloníferas ou semidecumbentes, no qual o tipo de pastejo causa menor dano ao meristema apical da planta proporcionando um melhor rebrote e persistência das pastagens, uma vez que estão menos expostos, dificultando seu corte.

Forragens com crescimento cespitoso e com o meristema apical mais alto devem receber mais atenção no manejo. Neste caso, não permitir que os animais cortem muito baixo as pastagens, pois com uma desfolhação muito intensa acarretará a remoção do meristema apical, resultando na paralisação de seu crescimento. A rebrota será muito mais lenta, pois ocorrerá a partir de gemas basais ou axilares, prejudicando assim o rendimento e a duração da pastagem.

Outras características desejadas nas forragens são:

1 – Crescimento agressivo (capacidade de crescer e fechar a área rapidamente);
2 – Resistência ao pisoteio;
3 – Alto valor nutritivo;
4 – Baixa exigência em fertilidade do solo;
5 – Boa palatabilidade;
6 – Adaptável às condições climáticas da região.

Escolha da forragem

Por ser um país de proporções continentais, o Brasil possui uma diversidade de clima e fertilidade do solo, responsáveis pelas diferenças na adaptabilidade de uma mesma espécie em diferentes regiões do país.

A composição das forragens varia muito com o estádio vegetativo da planta, com a fertilidade e tipo do solo, regime de chuvas, temperatura, umidade do ar, latitude, altitude, sistema de pastoreio, praguejamento, espécie forrageira, etc.

Com essa ampla variedade de fatores influenciando a composição nutritiva e produção das forragens, pode-se afirmar que não há uma espécie forrageira ideal, e sim dentro das características desejáveis já citadas, ocorra à escolha da espécie mais adaptada a região e ao manejo adotado (adubação, rotação de pastagens, irrigação, taxa de lotação, etc.).

Preparo do solo

Antes do plantio, deve-se tomar providencias para uma melhor germinação tanto das sementes ou das mudas plantadas. A coleta de amostra do solo para análise em laboratório, tem grande importância para a determinação das suas condições de fertilidade e pH. De acordo com os resultados, recomenda-se a correção do pH do solo, de preferência 60 dias antes do plantio, e a adubação adequada para que o solo esteja apto para proporcionar o rápido crescimento e persistência da forrageira cultivada.

É também importante para o sucesso na implantação de uma pastagem fazer a retirada das plantas daninhas perenes antes da floração, para que não reproduzindo, impeça a reinfestação, possibilitando maior controle da qualidade das pastagens.

Forrageiras

Informações sobre as espécies de gramíneas para a formação de pastagens é de grande importância na alimentação eqüina.

Estrela Africana (Cynodon Plectostachyus)

Espécie de crescimento prostrado prefere solos de textura argilo-arenosa. Extremamente resistente ao pisoteio, apresenta valor nutritivo bom e notável capacidade de cobrir terreno. Regra geral não recomendada para fenação, devido ao seu “talo” ser grosso dificultando a perda de água.

 

Coast – Cross (Cynodon Dactylon)

O coast-cross é uma forrageira perene, subtropical, híbrida, desenvolvida na Geórgia, EUA, pelo cruzamento entre espécies de Cynodon (grama-bermuda). É resistente ao frio, tolerando bem geadas. Apresenta bom valor nutritivo (teor protéico: 12 a 13%), alta produção (20 a 30 t/ha/ano de matéria-seca) e alto nível de digestibilidade (60 a 70%). Por apresentar alta relação folha/haste e responder vigorosamente à adubação, constitui-se em excelente opção para fenação. Seu hábito prostrado e estolonífero lhe assegura maior persistência.

Tifton 85 (Cynodon SP)

Gramínea do gênero Cynodon sp, híbrido estéril resultante do cruzamento da TIFTON – 68 com a espécie Bermuda Grass da África do Sul Gramínea perene estolonífera com grande massa folhear, rizomas grossos, que são os caules subterrâneos que mantêm as reservas de carboidratos e nutrientes que proporcionam a sua incrível resistência a secas, geadas, fogos e pastejos baixos. Pode ser plantada tanto em regiões frias, quanto em regiões quentes de clima subtropical e tropical, ou seja, em todo território nacional, em solos arenosos, mistos e argilosos (não alagados), devidamente corrigidos e adubados.

Tifton 68 (Cynodon sp)

O tifton 68 é uma gramínea forrageira tropical obtida a partir de melhoramentos genéticos realizados com o gênero Cynodon nas universidades da Geórgia e da Flórida, nos Estados Unidos. Apresenta as mesmas características o tifton 85 apresentado acima.

Braquiárias

Capins do gênero brachiaria devem ser evitados na formação de pastagens para eqüinos, pois algumas espécies (brachiaria decumbens) são rejeitas pelos animais. Algumas causam fotossenbilização hepatógena principalmente nas partes despigmentadas dos animais (brachiaria humidicola), além de apresentarem alto teor de oxalato, que seqüestra o cálcio tornanndo-o indisponível para o animal.

A doença conhecida como “cara inchada” (hiperparatireoidismo nutricional secundário), é caracterizada por um inchaço bilateral dos ossos da face, e é causada pelo alteração da relação Ca:P. Para tentar restabelecer a quantidade de cálcio no sangue o organismo libera o PTH (hormônio da paratireóide), que mobiliza o cálcio dos ossos para a corrente sanguínea.

O cálcio retirado dos ossos é substituído por um tecido cicatricial fibroso, que provoca aumento de volume dos ossos da face. Embora irreversíveis, essas lesões podem ser controladas quando detectadas.

Outras espécies como o capim kycuiu (pennisetum clandestinum), Setaria anceps cv. Kazungula, Panicum maximum cv. Colonião, Digitaria decumbens cv. Transvala também devem ser evitadas pelo seu alto teor de oxalato.

Matéria retirada da Seção Técnica do site da ABQM (www.abqm.com.br)

Literatura Consultada

http://www.tifton-85.com.br/atifton.htm

MICKENHAGEN, R. Elementos sobre pastagens das gramíneas tifton 68 e tifton 85. Araçatuba : FazendaProgresso, 1994. 27p

Cintra G. A. Hiperparatireoidismo nutricional secundário osteodistrofia fibrosa “ cara inchada”.

Nunes G. S. Problemas com cavalos em pastagens de brachiaria humidicola . Comunicado técnico Embrapa gado de corte, novembro 1990

Barbosa J.D., Oliveira C.M.C., Tokarnia C.H. & Peixoto P.V. Fotossensibilização hepatógena em eqüinos pela ingestão de

Brachiaria humidicola (Gramineae) no Estado do Pará , Pará, 2006

Lewis D. L. Alimentação e cuidados do cavalo, 1ª edição, Editora Rocca, 1995.

Meyer H. Alimentação de cavalos; tradução e revisão Stéfano Hágen – São Paulo livraria varela, 1995.

Autores:

Felipe Pereira dos Santos
Estudante de graduação em Zootecnia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF.
email:pereirazoot@hotmail.com

Humberto Pena Couto
Professor do LZNA da Universidade Estadual do Norte Fluminense –UENF.
e-mail: hpcouto@uenf.br

 


Ações

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One response

29 01 2009
Paulo Salles

Tenho pastagem de tifton 68 , que utilizo em piquetes para cavalos.Meu tifton está sobrando em alguns pontos ficando alto e animam não come e outros ponto deixam na terra.Estou com sobra de pasto e os animais estão magros.Qual o manejo mais apropriado??/

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